The Theosophical Society,

Escritas do Annie Besant

(1847 -1933)
Os Sete Principios Do Homem
Impressão em 1909
Pesquisadores
atraídos para Teosofia por sua doutrina central de fraternidade entre os
homens, e pelas esperanças que ela traz de conhecimento mais amplo e de
crescimento espiritual, podem ser repelidos quando fazem sua primeira tentativa de entrar mais em contato com ela, por causa dos -
para eles - nomes estranhos e embaralhantes que fluem facilmente dos lábios de
Teosofistas reunidos em conferência.
Eles ouvem um emaranhado de Âtmâ-Buddhi,
Kâma-Manas, Tríade, Devachan, e sabe-se lá o que mais, e sentem de imediato que
para eles a Teosofia é um estudo por demais abstruso. Mas
poderiam ter-se tornado Teosofistas muito bons, não tivesse seu entusiasmo
inicial sido esfriado com a ducha dos termos Sânscritos. Neste Manual o confuso
emaranhado será tratado com mais moderação, e só poucos nomes Sânscritos serão
colocados diante do pesquisador.
De fato, o uso destes
termos se tornou geral entre os Teosofistas porque a língua portuguesa não tem
equivalentes para eles, e uma frase longa e obscura tem de ser usada em seu
lugar para a idéia ser transmitida integralmente. O problema inicial de se
aprender estes nomes tem sido preferido do que o problema contínuo de usar-se
frases descritivas aproximativas - "Kama", por exemplo, sendo mais
curto e mais preciso do que "parte passional e emocional de nossa
natureza".
De acordo com o ensino Teosófico o homem é um
ser sétuplo, ou, na terminologia usual, tem uma
constituição setenária. Colocando de outra forma, a natureza do homem tem sete
aspectos, pode ser estudada de sete diferentes pontos de vista, é composta de
sete princípios. O modo melhor e mais claro de todos pelo qual imaginar o homem
é considerá-lo como uno, o Espírito ou Eu [Self, no
original - NT] Verdadeiro; este pertence à mais alta região do universo, e é
universal, é o mesmo para todos; é um raio de Deus, uma centelha do fogo
divino. Isto vai se tornar um indivíduo, refletindo a
perfeição divina, um filho que cresce à semelhança de seu pai.
Para este propósito o Espírito, ou Eu
Verdadeiro, veste-se com roupa após roupa, cada uma pertencendo a uma região
definida do universo, e capacitando o Eu para entrar em contato com aquela
região, ganhar conhecimento dela, e trabalhar nela. Assim ele
ganha experiência, e todas as suas potencialidades latentes são gradualmente
transformadas em poderes ativos. Estas roupagens, ou invólucros, são
distinguíveis umas das outras tanto teórica
Se um homem for observado pela clarividência,
cada uma é distinguível ao olhar, e são separáveis entre si durante
a vida física ou na morte, de acordo com a natureza de cada invólucro
particular. Quaisquer palavras que possam ser usadas, o fato permanece o mesmo
- de que ele é essencialmente sétuplo, um ser em evolução, parte de cuja
natureza já se manifestou, parte permanecendo latente no presente, até onde
concerne à vasta maioria da humanidade. A consciência do homem é capaz de
funcionar através de tantos destes aspectos quantos tiverem nele já evoluído
até a atividade.
Esta evolução, durante
o presente ciclo do desenvolvimento humano, tem lugar em cinco dentre sete dos
planos da natureza. Os dois planos superiores - o sexto e o
sétimo - exceto nos casos mais excepcionais, não serão atingidos por homens
desta humanidade neste ciclo atual, e podem ser portanto deixados de lado para
nosso objetivo presente.
Entretanto, como tem surgido alguma confusão
sobre os sete planos por causa da diferença de nomenclatura, são dados dois
diagramas no final deste tratado, mostrando os sete planos como eles existem em
nossa divisão do universo, em correspondência com os planos mais vastos do
universo como um todo, e também a subdivisão dos cinco em sete, como são
representados em parte de nossa literatura.
Um "plano" é meramente uma condição,
um estágio, um estado; de modo que poderíamos descrever o homem como disposto
pela sua natureza, quando esta natureza está plenamente desenvolvida, para
existir conscientemente em sete diferentes condições, ou sete diferentes
estágios, em sete diferentes estados; ou tecnicamente, em sete diferentes
planos de existência.
Tomando um exemplo facilmente verificável: um
homem pode ser consciente no
Deixemos o homem ser um filósofo, e enquanto
ele ponderar sobre algum intrincado problema ele perderá toda a consciência das
necessidades de seu corpo, das emoções, do amor ou do ódio; sua consciência
passará ao plano do intelecto, estará "abstraído", isto é, afastado
das considerações pertinentes à sua vida corporal, e fixo no plano do
pensamento.
Assim um homem pode viver nestes diversos
planos, nestas diversas condições, sendo uma ou outra parte de sua natureza
posta em atividade em cada momento dado; e um entendimento do que é o homem, de
sua natureza, seus poderes, suas possibilidades, será alcançado mais facilmente
e assimilado de maneira mais útil se ele for estudado ao longo destas linhas
claramente definidas, do que se ele for deixado sem análise, um mero feixe
confuso de qualidades e estados.
Também tem sido considerado conveniente, a
respeito da vida mortal e imortal do homem, reunir estes
sete princípios em dois grupos - um contendo os três princípios superiores e
portanto chamado de Tríade, o outro contendo os quatro inferiores, destarte
chamado Quaternário. A Tríade é a parte imortal da natureza humana, o
"espírito" e
Esta divisão em corpo, alma
e espírito é usada por São Paulo, e é aceita em toda a cuidadosa filosofia
Cristã, embora geralmente ignorada pela massa do povo Cristão. No linguajar
comum, alma e corpo constituem o homem, e as palavras
espírito e alma são usadas intercambiavelmente, com muita confusão de
pensamento como resultado.
Esta vagueza é fatal para qualquer visão clara
sobre a constituição do homem, e o Teósofo pode bem apelar para o filósofo
Cristão contra o Cristão casual não-pensador se for acusado de estar fazendo
distinções difíceis de entender. Nenhuma filosofia digna do nome pode ser
apresentada mesmo em sua feição mais elementar sem
fazer alguma demanda à inteligência e à atenção do eventual aprendiz, e cuidado
no uso dos termos é uma condição para todo o conhecimento.
PRINCÍPIO
I
O
Corpo Físico Denso
O
corpo físico denso do homem é chamado o primeiro de seus sete princípios, já
que certamente é o mais óbvio. Construído de moléculas materiais, no sentido
geralmente aceito do termo - com seus cinco órgãos sensoriais - os cinco
sentidos - seus órgãos de locomoção, seu cérebro e sistema nervoso, seu aparato
para desempenhar as várias funções necessárias para a continuidade de sua
existência, há pouco a ser dito sobre este corpo físico em um esboço tão breve
como este sobre a constituição do homem.
A ciência ocidental está quase pronta para
aceitar a visão Teosófica de que o organismo humano consiste de inumeráveis
"vidas", que constituem as células. H.P.Blavatsky diz sobre isto:
"A ciência ainda não foi longe o bastante para concordar com a doutrina
Oculta que nossos corpos, assim como os dos animais, plantas e pedras, são
também constituídos de tais seres (bactérias, etc): os quais, com exceção das
espécies maiores, nenhum microscópio pode detectar..."
Sendo os constituintes
físicos e químicos idênticos em todos os seres, a ciência química pode bem
dizer que não existe diferença alguma entre a matéria que compõe o touro e a
que forma o homem. Mas a doutrina Oculta é muito mais explícita: Não só
os componentes químicos são os mesmos, mas as mesmas vidas infinitesimais
invisíveis compõe os átomos dos corpos da montanha e da margarida, do homem e
da formiga, do elefante e da árvore que o protege do sol. Cada partícula - seja
chamada orgânica ou inorgânica - é uma vida.
Cada átomo e molécula no universo dá tanto a
vida
A consciência puramente
física é a consciência das células e das moléculas. A
ação seletiva das células, extraindo do sangue o que precisam, rejeitando o que
não precisam, é um exemplo de sua autoconsciência. O processo continua sem a ajuda de nossa consciência ou volição. Assim o que é
pelos fisiologistas chamado de memória inconsciente é a memória da consciência
física, na verdade inconsciente para nós, até que
tenhamos aprendido a transferir nossa consciência cerebral para lá.
O que sentimos não é o que as células sentem.
A dor de um ferimento é sentida pela consciência cerebral, agindo, como
dissemos, no plano físico; mas a consciência da molécula, assim como a do
agregado de moléculas que chamamos células, leva-as celeremente a reparar os
tecidos danificados - ações de que o cérebro é inconsciente - e sua memória as
faz repetir a mesma ação repetidas vezes, mesmo quando já se tornou
desnecessária.
Daí as cicatrizes nos cortes,
quelóides, calosidades, etc. O estudante pode encontra muitos detalhes sobre este assunto em tratados de fisiologia. A morte do corpo
físico denso ocorre quando a retirada da energia vital controladora deixa os
micróbios seguirem seu próprio rumo, e as muitas vidas, já não mais
coordenadas, separam-se e fragmentam as partículas das células do "homem
de barro", e o que chamamos decomposição se apresenta.
O corpo se torna um torvelinho de vidas sem controle, sem regulação, e sua forma, que resultava de
sua correlação, é destruída pela exuberante energia das suas vidas individuais.
A morte é só um aspecto da vida, e a destruição de uma forma
material é apenas um prelúdio para a construção de outra.
PRINCÍPIO
II
O
Duplo Etérico
Linga-Sharira,
corpo astral, corpo etérico, corpo fluídico, duplo, fantasma, doppelganger,
homem astral - estes são alguns dos muitos nomes que
têm sido dados ao segundo princípio na constituição do homem. O melhor nome é
Duplo Etérico, porque este termo designa somente o segundo princípio, sugerindo
sua constituição e aparência: enquanto que os outros nomes têm sido usados algo
genericamente para descrever corpos formados de matéria um pouco mais sutil do
que a que afeta nossos sentidos físicos, sem considerarmos a questão de se
outros princípios estão ou não envolvidos em sua construção. Doravante usarei
apenas este nome.
O duplo etérico é formado de matéria mais
rarefeita ou mais sutil do que a que é perceptível pelos nossos cinco sentidos,
mas ainda é matéria pertencendo ao
Este duplo etérico é a
duplicata ou contraparte exata de nosso corpo físico denso ao qual pertence, e
é separável dele, embora incapaz de ir muito longe. Em seres humanos
normalmente saudáveis a separação é difícil, mas em pessoas conhecidas
Tão estreita é a união física entre os dois
que um ferimento infligido ao duplo etérico aparecerá
A separação do duplo etérico do corpo denso
geralmente é acompanhada de um considerável decréscimo na vitalidade do último,
ficando o duplo mais
vitalizado à medida que a energia no corpo denso diminui. Diz
o Cel. Olcott (p. 63):
"Quando o duplo etérico é projetado por
um perito treinado, até o corpo parece entorpecido, e a mente fica em um estado de estupor [brown study, no original -
NT]; os olhos não têm expressão de vida, o coração e os pulmões atuam
fracamente, e muitas vezes a temperatura cai bastante. É muito perigoso fazer
qualquer ruído ou pancada repentinos na sala, em tais
circunstâncias; pois o duplo, sendo por reação instantânea trazido de volta ao
corpo, faz o coração contrair-se convulsivamente, e a morte pode mesmo ser
causada".
No caso de Emilie Sagée (citado nas pp.
62-65), percebeu-se que a menina parecia pálida e exausta quando o duplo era
visível: "quanto mais nítido o duplo e mais material a aparência, a pessoa
realmente material estava efetivamente enfraquecida, sofrendo e lânguida;
quando ao contrário, a aparência do duplo enfraquecia, a paciente era vista
recuperar a força".
Esta fenômeno é perfeitamente compreensível
para o estudante Teosófico, que sabe que o duplo etérico é o veículo do
princípio vital, ou vitalidade, no corpo físico, e que sua saída parcial deve
portanto diminuir a energia que com este princípio atua nas moléculas mais
densas.
Os clarividentes,
"quando eu
estava absorvido nos estudos fisiológicos, freqüentemente era atraído por um
fato singular. Às vezes acontece de uma pessoa que perdeu um
braço ou perna experimentarem certas sensações nas extremidades dos dedos.
Os fisiologistas explicam esta anomalia postulando haver no paciente uma
inversão de sensibilidade ou de lembrança, que os faz localizar na mão ou no pé a sensação com que somente o nervo do coto é
afetado... Confesso que estas explicações me pareciam
artificiosas e jamais me satisfizeram. Quando estudei o problema do
duplo do homem, a questão das amputações recorreu à minha mente, e me perguntei
se não seria mais simples e lógico atribuir a anomalia de que falei à duplicata
do corpo humano, que por sua natureza fluida pode escapar à amputação"
(loc. cit., pp. 103-104).
O duplo etérico desempenha um grande papel nos
fenômenos espíritas. Novamente aqui o clarividente pode nos
ajudar. Um clarividente pode ver o duplo etérico escapando pelo lado
esquerdo do médium, e é isso o que aparece amiúde como um "espírito
materializado", facilmente moldado em várias formas pelas correntes de
pensamento dos presentes, e ganhando força e vitalidade à medida que o médium
mergulha em transe mais profundo. A condessa Wachtmeister, que é clarividente,
diz que tem visto o mesmo "espírito" reconhecido
Então de novo H.P.Blavatsky me disse que
quando estava na fazenda de Eddy, observando a notável série de fenômenos lá
produzidos, ela deliberadamente moldou o "espírito" que aparecia à
semelhança de pessoas conhecidas dela e de ninguém mais presente, e os outros
viram as formas que ela produziu pelo poder de sua própria vontade, moldando a
plástica matéria do duplo do médium.
Muitos dos movimentos de objetos que ocorrem
em tais sessões, e em outras ocasiões, sem contato visível, são devidos à ação
do duplo etérico, e o estudante pode aprender como produzir tais fenômenos à
vontade. São bastante comuns: a mera projeção da mão etérica não é mais
importante do que a projeção da contraparte densa, e nem mais ou menos
miraculosa. Algumas pessoas produzem estes fenômenos
inconscientemente, simples derrubamento fortuito de objetos, produção de
ruídos, e assim por diante: eles não têm controle sobre seus duplos etéricos, e
eles apenas pairam em sua vizinhança próxima,
Pois o duplo etérico,
Isto nos conduz a um
ponto interessante. Os centros da sensação estão localizados no quarto
princípio, que pode ser dito formar uma ponte entre os órgãos físicos e as
percepções mentais; impressões do universo físico agem sobre as moléculas
materiais do corpo físico denso, colocando em vibração as células constituintes
dos órgãos de sensação, ou nossos "sentidos".
Estas vibrações, por sua
vez, colocam em movimento as moléculas materiais mais rarefeitas do duplo
etérico, nos órgãos sensoriais correspondentes de sua matéria mais fina. Destes, as vibrações passam
para o corpo astral, ou quarto princípio, logo a ser considerado, onde estão os
centros de sensação correspondentes.
Daí estas sensações são propagadas à ainda
mais rarefeita matéria do plano mental inferior, de onde são refletidas de
volta até, chegando às moléculas materiais dos hemisférios cerebrais, se
tornarem nossa "consciência cerebral". Esta sucessão
inter-relacionada e inconsciente é necessária para a atuação normal da
consciência
No sono ou no transe, natural ou induzido, os
dois primeiros e o último estágios geralmente são omitidos, e as impressões
iniciam no e voltam ao plano astral, e assim não deixam qualquer traço na
memória cerebral; mas o psíquico natural ou treinado, o clarividente que não
precisa de transe para o exercício de seus poderes, é capaz de transferir sua
consciência do plano físico para o astral sem perda de continuidade, e pode
impressionar a memória cerebral com o conhecimento obtido no plano astral,
retendo-o assim para uso.
A morte significa para o duplo etérico
exatamente o mesmo que para o corpo físico denso: a ruptura de suas partes
constituintes, a dissipação de suas moléculas. O veículo da vitalidade, que
anima o organismo corpóreo
O duplo etérico, sendo de matéria física,
permanece nas redondezas do cadáver, e é o "espectro", ou
"aparição", ou "fantasma", algumas vezes visto no momento
da morte e logo após por pessoas perto do local onde a morte ocorreu. Ele
desintegra-se lentamente pari passu com sua contraparte densa, e seus restos
são vistos por sensitivos em cemitérios e campos
Eis uma das razões que tornam a cremação
preferível ao enterro como modo de descarte do envelope físico do homem; o fogo
dissipa em poucas horas as moléculas que doutra forma ficariam livres somente
no lento curso da putrefação gradual, e assim devolve rapidamente aos seus
próprios planos os materiais densos e etéricos, prontos para uso mais uma vez
na construção de novas formas.
PRINCÍPIO
III
Prâna,
a Vida
Todos os universos, todos os mundos, todos os
homens, todos os brutos, todos os vegetais, todos os minerais, todas as
moléculas e átomos, tudo o que existe, está mergulhado em um grande oceano de
vida, vida eterna, vida infinita, vida incapaz de aumento ou decréscimo. O universo é apenas
vida em manifestação, vida feita objetiva, vida diferenciada.
Mas cada organismo, seja minúsculo
Imagine uma esponja viva, se expandindo na
água que a banha, a cerca, a penetra; existe a água, ainda o oceano, circulando
em cada passagem, enchendo cada poro; mas podemos pensar no oceano fora da
esponja, ou na parte do oceano apropriado pela esponja, distinguindo-os em pensamento
se quisermos fazer asserções sobre cada um distintamente.
Assim cada organismo é uma esponja banhando-se
no oceano da vida universal, e contendo dentro de si um pouco daquele oceano
Na Teosofia nós distinguimos esta vida
capturada sob o nome de Prâna, alento, e chamamo-lo de o terceiro princípio na constituição do homem.
É o "alento da vida animal no homem - o
sopro da vida instintiva no animal" (ibid.,
diagrama no final do texto). Mas neste momento estamos interessados somente no
Prâna, na vitalidade
O Prâna é explicado na
Doutrina Secreta
"O ocultismo - que discerne uma vida em
cada átomo e molécula, seja em um mineral ou no corpo humano, no ar, fogo ou
água - afirma que todo nosso corpo é feito de tais
vidas; em relação a elas as menores bactérias dos microscópios são,
Um dos comentários arcaicos resume o assunto
em frases sucintas e luminosas: "Os mundos, o profano, são
feitos dos elementos conhecidos. Na concepção de um Arhat, estes
mesmos elementos são coletivamente uma vida divina; distributivamente, no
"Só o fogo é UM, no
Assim
PRINCÍPIO
IV
O
Corpo de Desejo
Estudando
nosso homem atingimos agora o princípio algumas vezes descrito
Na psicologia ocidental a mente é dividida -
pela escola moderna - em três regiões principais: sentimentos, vontade,
intelecto. Os sentimentos são divididos de novo em sensações
e emoções, e estas são divididas e subdivididas em numerosas classes.
Kâma, ou desejo, inclui todo o grupo de "sentimentos", e poderia ser
descrito
Todas as necessidades animais, como a fome, a
sede, o desejo sexual, reúnem-se aqui; todas as paixões, como o amor (em seu
sentido inferior), o ódio, a inveja, o ciúme. É o desejo por
experiência senciente, por experiência de alegrias materiais - "a luxúria
da carne, a luxúria dos olhos, o orgulho da vida".
Este princípio é o mais
material em nossa natureza, é o único que nos ata pesadamente à vida terrena.
"Não é matéria constituída molecularmente, pelo menos não como o corpo
humano, o Sthûla Shârira, isto é, o mais grosseiro de todos nossos
'princípios', mas na verdade é o princípio médio, o verdadeiro centro animal;
daí ser nosso corpo apenas sua concha, o fator e meio irresponsáveis através
dos quais a besta em nós tem toda sua vida" (Dout. Sec.,
vol. I, pp. 280-81).
Unido à parte inferior de Manas, a mente,
Kâma unido a Prâna é,
Mas estes órgãos
seriam incapazes de funcionar se Prâna não os fizesse vibrar em atividade, e
suas vibrações permaneceriam apenas vibrações, movimento no
Por exemplo, uma árvore pode refletir os raios
da luz, isto é, vibrações etéricas, e estas vibrações
atingindo o olho externo estabelecerão vibrações nas células nervosas físicas;
estas serão propagadas
A matéria do
O corpo de desejo, ou corpo astral,
Em um homem de desenvolvimento intelectual
mediano o corpo de desejo já se tornou mais altamente organizado, e quando
separado do corpo físico é visto assemelhando-se à sua forma e características;
mesmo então, entretanto, não é consciente de seu entorno no plano astral, mas
encapsula a mente como uma concha, dentro da qual a mente pode funcionar
ativamente, embora ainda não capaz de usá-lo como um veículo independente de
consciência.
Só no homem altamente desenvolvido o corpo de
desejo se torna inteiramente organizado e vitalizado, um veículo de consciência
no
Após a morte, a parte superior do homem
permanece por um tempo no corpo de desejo, e a duração de sua estadia depende
da comparativamente grosseria ou delicadeza de seus constituintes. Quando o
homem escapa dele, ele ainda persiste por algum tempo como uma
"concha" e quando a entidade defunta é de um tipo baixo, e durante a
vida terrena possuía uma mentalidade restrita à natureza passional, alguns de seus
restos se fundem com a concha.
Ela então possui uma consciência de ordem
muito inferior, tem astúcia bruta, não possui consciência - uma entidade
totalmente deplorável, freqüentemente descrita
Médiuns de um tipo inferior inevitavelmente
atraem estes visitantes eminentemente indesejáveis, cuja vitalidade decadente é
reforçada em suas salas de sessão, que apanham reflexos astrais, e assumem o
papel de "espíritos desencarnados" de uma ordem inferior. E isso não
é tudo; se em tal sessão houver presente algum homem ou mulher de
desenvolvimento igualmente baixo, o fantasma será atraído para aquela pessoa, e
pode ligar-se a ele ou ela, e assim pode estabelecer correntes entre o corpo de
desejo da pessoa viva e o corpo de desejo moribundo da pessoa morta, gerando
resultados do tipo mais deplorável.
A persistência maior ou menor do corpo de
desejo
Ou ainda, se a vida terrena foi cortada
subitamente por acidente ou por suicídio, o elo entre Kâma e Prâna não será
facilmente rompido, e o corpo de desejo estará fortemente vivificado. Se, por
outro lado, o desejo foi conquistado e governado durante
a vida terrena, se foi purificado e treinado na subserviência da natureza
humana superior, então haverá apenas pouco para energizar o corpo de desejo e
ele rapidamente se desintegrará e dissolverá.
Permanece um outro fato, terrível em suas
possibilidades, que pode afetar o quarto princípio, mas não pode ser entendido
claramente até que o quinto princípio tiver sido estudado.
O
QUATERNÁRIO
Ou
Os Quatro Princípios Inferiores
(Diagrama
do Quaternário; transitório e mortal; vide Dout. Sec., vol.
I, p. 262. O duplo etérico aqui é chamado Linga Sharira, um nome agora
descartado em conseqüência da confusão causada pelo emprego de um termo
filosófico hindu bem conhecido de um modo inteiramente
novo. Antes de sua partida H.P.B. instou seus pupilos a
reformarem a terminologia, que tem sido reunida por demais descuidadamente, e
estamos tentando cumprir seu desejo).
Estudamos assim o homem
quanto à sua natureza inferior, e atingimos o ponto em sua senda evolutiva em
que ele é acompanhado pelo bruto. O quaternário, considerado
isoladamente, antes de ser afetado pelo contato com a mente, é meramente um
animal inferior; ele espera a chegada da mente para tornar-se homem.
A
Teosofia ensina que através de idades passadas o homem foi construído só lentamente,
etapa por etapa, princípio por princípio, até que constituiu-se como um
quaternário, vigiado pelo Espírito mas não em contato com ele, à espera daquela
mente que sozinha poderia habilitá-lo a progredir mais, e entrar em união
consciente com o Espírito, cumprindo assim o verdadeiro objetivo de sua
existência.
Esta evolução eônica, em sua lenta progressão,
é acelerada através da evolução pessoal de cada ser humano; cada princípio
evoluiu sucessivamente no curso das eras no homem na
terra, aparecendo
A evolução do quaternário, até atingir o ponto
em que progresso ulterior seria impossível sem a mente, é descrita em
eloqüentes sentenças nas estâncias arcaicas em que é baseada a Doutrina Secreta
de H. P. Blavatsky (O alento é o Espírito para o qual o tabernáculo humano deve
ser construído; o corpo grosseiro é o corpo físico denso; o espírito de vida é
Prâna; o espelho de seu corpo é o duplo etérico; o veículo de desejos é Kâma):
"O
Alento precisou de uma forma; os Pais a deram. O
Alento precisou de um corpo grosseiro; a Terra o moldou; o Alento precisou do
Espírito da Vida: os Lhas Solares o sopraram na sua
forma. O Alento precisou de um Espelho de seu Corpo; 'Nós lhe
daremos o nosso', disseram os Dhyânis. O Alento
precisou de um Veículo de Desejos; 'Já o tem', disseram os Drenadores das
Águas. Mas o Alento necessita de uma Mente para
abarcar o Universo; 'Não podemos dá-la', disseram os Pais, 'Jamais a tive',
disse o Espírito da Terra. 'A forma seria consumida se eu lhe desse a minha',
disse o Grande Fogo... O homem permanecia um Bhûta (fantasma)
vazio e inconsciente".
Assim é o homem pessoal sem
a mente. O quaternário sozinho não é o homem, o Pensador, e é
Na verdade, para fazer a personalidade humana
ela ainda tem de ser trazida sob os raios da mente, e ser iluminada por ela
como o mundo o é pelos raios do sol. Mas mesmo sem estes raios já é uma
entidade claramente definida, com seu corpo denso, seu duplo etérico, sua vida
e seu corpo de desejo ou alma animal. Tem paixões, mas não razão; tem emoções,
mas não intelecto; tem desejos, mas não vontade racionalizada; ela espera a
vinda de seu monarca, a mente, o toque que a transformará em homem.
PRINCÍPIO
V
Manas,
o Pensador, ou a Mente
Chegamos à parte mais complicada de nosso
estudo, e algum pensamento e atenção são necessários do leitor para que obtenha
mesmo uma idéia elementar da relação mantida pelo quinto princípio com os
outros princípios no homem.
A palavra Manas vem do Sânscrito man, a raiz
do verbo pensar; é o Pensador em nós, do qual se fala
vagamente no ocidente
Ele é descrito na Voz
do Silêncio na exortação endereçada ao candidato à iniciação: "Persevera
"Ele pode fazê-lo
somente passando individual e pessoalmente, isto é, espiritual e fisicamente,
através de todas as experiências que existem no universo múltiplo ou
diferenciado. Tem, portanto, depois de ter ganho tal experiência nos
reinos inferiores, e tendo que ascender mais alto e ainda mais alto com cada
degrau na escada do ser, que passar através de todas as experiências nos planos
humanos.
"Em sua vera
essência é Pensamento, e é, portanto, chamado em sua pluralidade de
Mânasaputra, 'os Filhos da Mente (universal)'. Este 'Pensamento'
individualizado é o que os Teosofistas chamam de o verdadeiro Ego humano, a entidade pensante aprisionada em uma caixa de carne e
ossos. Ele é seguramente uma entidade espiritual, não é matéria (isto é, não
matéria
Esta idéia pode ser tornada ainda mais clara talvez com uma rápida olhada na evolução do homem no
passado. Quando o quaternário havia sido lentamente desenvolvido, era uma boa
casa sem um dono, e estava vazia esperando a vinda
daquele que havia de residir lá.
O nome Mânasaputra (os filhos da mente) cobre
muitos graus de inteligência, desde os poderosos "Filhos da Chama"
cuja evolução humana já ficou muito para trás, até aquelas entidades que
obtiveram a individualização no ciclo precedente ao nosso, e estavam prontas
para se encarnar nesta terra a fim de completar sua etapa humana de evolução.
Algumas inteligências super-humanas encarnaram
Através das idades sucessivas o restante da
humanidade recebeu do mais alto Mânasaputra sua primeira faísca de mente, um
raio que estimulou ao crescimento o germe da mente latente dentro de si, tendo
assim a alma humana ali seu nascimento no tempo. São estas diferenças de idade,
A multiplicidade de nomes dados a este quinto princípio provavelmente tendeu a aumentar a
confusão em seu redor nas mentes dos muitos que estão começando a estudar
Teosofia.
Mânasaputra é o que chamamos o nome histórico,
o nome que sugere a entrada na humanidade de uma classe de almas já
individualizadas em certo ponto da evolução; Manas é o nome comum, descritivo
da natureza intelectual do princípio; o Indivíduo ou "Eu", ou Ego,
lembra o fato de que este princípio é permanente, não morre, é o princípio
individualizante, separando-se em pensamento de tudo o que não é ele mesmo, o
Sujeito oposto ao Objeto, na terminologia ocidental; o Ego Superior o coloca em
contraste com o ego pessoal, do qual logo diremos algo.
O Ego Reencarnante enfatiza o fato de que é o
princípio que reencarna continuamente, e assim une em sua própria experiência
todas as vidas passadas na Terra. Há vários outros
nomes, mas estes não serão encontrados em tratados
elementares.
Estes de acima são os nomes mais
freqüentemente encontrados, e não há nenhuma dificuldade real a seu respeito,
mas quando são usados intercambiavelmente, sem explicação, o infeliz estudante
é capaz de arrancar seus cabelos de aflição, espantando-se com quantos
princípios ele possui, e com que relação eles guardam entre si.
Devemos agora considerar Manas durante uma
única encarnação, que servirá como protótipo para todas, e começaremos quando o
Ego foi atraído - por causas estabelecidas antes em vidas terrenas prévias - à
família em que há de nascer o ser humano que servirá como seu próximo
tabernáculo (Não trato aqui da reencarnação, uma vez que esta grande e
essencialíssima doutrina da Teosofia deve ser exposta em separado).
O Pensador, então, espera a construção da
"casa da vida" que ele vai ocupar; e agora surge uma dificuldade;
sendo ele mesmo uma entidade espiritual vivendo no plano mental, ou terceiro de
baixo para cima, um plano muito mais elevado do que o do universo, não pode
influenciar as moléculas de matéria grosseira de que é feita sua moradia pela
ação direta, sobre elas, de suas partículas muito mais sutis.
Deste modo, ele projeta parte de sua própria
substância, que se reveste de matéria astral, e então, com a ajuda da matéria
etérica, penetra todo o sistema nervoso da criança ainda não-nascida, para
formar, à medida que o aparato físico amadurece, o princípio pensante no homem.
Esta projeção de Manas, dita seu reflexo, sua sombra, seu raio, e de muitos
outros nomes descritivos e alegóricos, é o Manas inferior, em contraste com o
Manas superior - sendo Manas, durante cada período de encarnação, dual.
Sobre isto, diz H.P.Blavatsky: "Uma vez
aprisionado, ou encarnado, sua essência (o Manas) se torna dual; quer dizer, os
raios da Mente divina eterna, considerados como entidades individuais, assumem
um atributo duplo que são (a) suas mentes essenciais, inerentes,
características, anelantes pelo céu (Manas superior), e (b) a qualidade humana
de pensamento, ou cogitação animal, racionalizada devido à capacidade superior
do cérebro humano, o Manas que tende a Kâma, ou Manas inferior" (A Chave
da Teosofia, p. 184).
Agora devemos voltar nossa atenção a este Manas inferior somente, e ver que parte ele tem na
constituição humana.
Ele está mergulhado no quaternário, e podemos
considerá-lo
Durante a vida terrena, Kâma
e o Manas inferior estão unidos, e são amiúde chamados convenientemente de
Kâma-Manas. Kâma supre, como vimos, os elementos animais e passionais; o
Manas inferior os racionaliza, e acrescenta as faculdades intelectuais; de modo
que temos a mente cerebral, a inteligência cerebral, isto é, Kâma-Manas
funcionando no cérebro e no sistema nervoso, usando o aparato físico como seu
órgão no plano material.
No homem estes dois
princípios estão interligados durante toda a vida, e raramente agem separados,
mas o estudante deve perceber que "Kâma-Manas" não é um princípio
novo, mas o entrelaçamento do quarto com a parte inferior do quinto.
Assim como com uma chama podemos acender um
pavio, e a cor da chama do pavio que arde dependerá da natureza do pavio e do
líquido em que estiver embebido, igualmente em cada ser humano a chama de Manas
acende o cérebro e o pavio Kâmico, e a cor da luz deste pavio dependerá da
natureza Kâmica e do desenvolvimento do aparato cerebral.
Se a natureza Kâmica for forte e
indisciplinada, poluirá a pura luz Manásica,
emprestando-lhe uma tonalidade opaca e sujando-a com desagradável fumaça. Se o
aparato cerebral for imperfeito ou subdesenvolvido, embotará a luz e impedirá sua radiação para o exterior.
Como foi claramente assertado por H.P.Blavatsky
em seu artigo Gênio: "O que chamamos 'as manifestações do gênio' em uma
pessoa são somente os esforços mais ou
menos bem sucedidos do Ego de impor-se sobre o plano externo à sua forma
objetiva - o homem de barro - na vida diária factual deste último.
Os Egos de um
O que faz de um mortal um grande homem e de
outro uma pessoa vulgar e estúpida é, como se disse, a qualidade e constituição
do invólucro ou moldura física, e a adequação ou não do cérebro e corpo em
transmitir e dar expressão à luz do homem interno real; e esta aptidão ou
inépcia é, por sua vez, o resultado do Karma.
"Ou, para usarmos outro
paralelo, o homem físico é o instrumento musical, e o Ego é o artista que o
toca. A potencialidade de perfeita melodia de som está no primeiro - o
instrumento - e nenhuma habilidade do último pode despertar uma harmonia
impecável a partir de um instrumento quebrado ou malfeito.
"Esta harmonia depende da fidelidade de
transmissão, por palavra ou ato, ao
Tendo em mente estas limitações e
idiossincrasias (limitações e idiossincrasias devidas à ação do Ego em vidas
terrenas anteriores, seja bem lembrado) impostas sobre as manifestações do
princípio pensante pelo órgão através do qual ele tem de funcionar, teremos
pouca dificuldade em acompanhar a atuação do Manas inferior no homem; a
habilidade mental, a força, finura e sutileza intelectuais - tudo isso são suas
manifestações; elas podem chegar até onde o que é chamado gênio, de que
H.P.Blavatsky fala como "um gênio artificial, o florescimento da cultura e
da agudeza puramente intelectual". Sua natureza
freqüentemente é demonstrada pela presença de elementos Kâmicos nele, de
paixão, vaidade e arrogância.
O Manas superior apenas
raramente pode manifestar-se no presente estágio da evolução humana.
Ocasionalmente um clarão daquelas regiões mais altas ilumina a penumbra em que
vivemos, e só tais clarões é o que o Teosofista chama de gênio verdadeiro;
"Vêde em toda manifestação de gênio, quando combinada com a virtude, a
inegável presença do exilado celeste, o Ego divino cuja gaiola és, oh homem de
matéria".
Pois a Teosofia ensina "que a presença no
homem de vários poderes criativos" - chamados gênio em sua coletividade -
é devida não a um acaso cego, nem a qualidades inatas através de tendências
hereditárias - embora aquilo que é conhecido como atavismo possa freqüentemente
intensificar estas faculdades - mas a uma acumulação de experiências
individuais antecedentes do Ego em sua vida ou vidas anteriores.
Pois a onisciência em sua essência e natureza
ainda requer a experiência, através de suas personalidades, das coisas da Terra,
terrenamente no
Kâma-Manas é o eu pessoal do homem; já vimos
que o quaternário,
E o Manas inferior, atraído pela vividez das
impressões da vida material, empolgado pelo borbulhar das emoções, paixões e
desejos Kâmicos, atraído pelas coisas materiais, cego e surdo pelas vozes
tempestuosas por entre as quais é mergulhado - o Manas inferior é capaz de
esquecer a glória pura e serena de seu lugar de origem, e jogar-se na
turbulência que lhe dá arroubos em vez de paz.
E, seja lembrado, é este
Manas bem inferior que concede o derradeiro toque de deleite aos sentidos e à
natureza material; pois o que é a paixão que não pode nem antecipar nem
lembrar, onde está o êxtase sem a força sutil da imaginação, as delicadas cores
da fantasia e do sonho?
Mas pode haver cadeias ainda mais fortes e
restritivas, atando o Manas inferior pesadamente à Terra. Elas
são forjadas de ambição, de desejo por fama, seja por aquela do poder do homem
de estado, ou da suprema realização intelectual. Enquanto qualquer
trabalho for executado por causa do amor, do aplauso, ou mesmo do
reconhecimento de que o trabalho é "meu" e não de outrem; enquanto
permanecer nas câmaras mais remotas do coração algum sutilíssimo anelo de ser
reconhecido como separado de todos; enquanto isso durar, por mais grandiosa que
seja a ambição, por mais vasta a caridade, por mais excelsa a conquista, Manas
estará manchado de Kâma, e não será puro como sua fonte.
O
MANAS EM ATIVIDADE
Já
vimos que o quinto princípio é dual em seu aspecto durante
cada período de vida terrena, e que o Manas inferior unido a Kâma, dito por
conveniência Kâma-Manas, atua no cérebro e sistema nervoso do homem. Precisamos
levar nossa investigação um pouco mais além a fim de distinguir com clareza
entre as atividades do Manas superior e do inferior, de modo que a ação na
mente do homem possa ser menos obscura para nós do que é a muitos atualmente.
Assim, as células do cérebro e sistema nervoso
(
H.P.Blavatsky assinala
(Lucifer, outubro de 1890, pp. 92-3) que o movimento molecular é a forma mais
inferior e material da Vida Eterna Única. Ela própria é movimento
Assim, a mente inferior, ou Kâma-Manas, atua
nas moléculas das células nervosas através de movimento, e as coloca em
vibração, despertando a consciência mental no
Estas manifestações, "
Esta ação do Kâma-Manas é dita pelos
Teosofistas
Se a constituição molecular do cérebro for
boa, e se a atuação dos órgãos especificamente Kâmicos (fígado, baço, etc.) for
saudável e pura - de modo a não prejudicar a constituição molecular dos nervos
que os colocam em comunicação com o cérebro - então o alento psíquico, ao
passar através do instrumento, desperta nesta verdadeira harpa eólica melodias
harmoniosas e refinadas; enquanto que se a constituição molecular for grosseira
ou pobre, se for desordenada pelas emanações do álcool, se o sangue for
envenenado pela vida grosseira ou excessos sexuais, as cordas da harpa eólica
se tornam frouxas ou tensas demais, cobertas de sujeira ou abaladas pelo uso
rude, e quando o alento psíquico passa por elas, permanecem mudas ou produzem
notas asperamente dissonantes, não porque o alento esteja ausente, mas porque
as cordas estão em mau estado.
Agora, imagino, será entendido claramente que
o que chamamos de mente, ou intelecto, é, nas palavras de H.P. Blavatsky,
"um reflexo pálido e excessivas vezes distorcido" do próprio Manas,
ou nosso quinto princípio; Kâma-Manas é "o intelecto racional, mas terreno
ou físico, do homem, encerrado na e limitado pela matéria, e portanto sujeito à
sua influência"; é o "eu inferior, ou aquilo que se manifestando
através de nosso sistema orgânico, agindo neste plano de ilusão, imagina-se o
Ego sum, e cai destarte no que a filosofia Budista estigmatiza como a
"heresia da separatividade". É a personalidade humana, de onde
procede "na melhor das hipóteses a sabedoria psíquica, ou seja, a
'sabedoria terrena', uma vez que é influenciada por todos os estímulos caóticos
das paixões humanas ou antes animais do corpo vivente" (Lucifer, outubro
de 1890, p. 179).
Um entendimento claro do fato de que
Kâma-Manas pertence à personalidade humana, que funciona no e através do
cérebro físico, que age nas moléculas do cérebro, pondo-as em vibração,
facilitará muito a compreensão da doutrina da reencarnação pelo estudante.
Este grande tópico será tratado em outro
volume desta série, e não me proponho a demorar-me nele aqui mais do que para
lembrar ao estudante que aperceba-se cuidadosamente do fato de que o Manas
inferior é um raio do Pensador imortal, iluminando a personalidade, e que todas
as funções que são trazidas à atividade na consciência cerebral são funções
correlacionadas ao cérebro particular, à personalidade particular, onde
ocorrem.
As moléculas cerebrais que são postas a vibrar
são órgãos materiais no homem de carne; elas não existiam
Assim, a faculdade que chamamos de memória no
plano físico depende da resposta destas mesmas moléculas cerebrais ao impulso
do Manas inferior, e não existe elo algum entre os cérebros das personalidades
sucessivas exceto através do Manas superior, que envia seu raio para animá-las
e iluminá-las sucessivamente.
Segue-se, então, inevitavelmente, que a menos
que a consciência do homem possa erguer-se dos planos físico e Kâma-Manásico
até o plano do Manas superior, nenhuma memória de uma personalidade pode passar
para outra. A memória da personalidade pertence à parte transitória da complexa
natureza humana, e só podem recuperar a memória de suas vidas passadas aqueles
que podem elevar suas consciências até o plano do Pensador imortal, e podem,
por assim dizer, viajar conscientemente para cima e para baixo no raio que é a
ponte entre o homem pessoal que perece e o homem imortal que perdura.
Se, enquanto encarcerados na carne humana,
pudermos elevar nossa consciência ao logo do raio que conecta nosso eu inferior
com o Eu real, atingindo assim o Manas superior, encontraremos armazenada lá na
memória daquele Ego eterno o conjunto inteiro de nossas vidas passadas na
Terra, e poderemos trazer estes registros de volta á nossa memória cerebral
através do mesmo raio através do qual podemos subir até o nosso
"Pai".
Mas esta é uma
conquista que pertence a uma etapa posterior da evolução humana, e até que seja
atingida as personalidades sucessivas animadas pelo raio Manásico ficam
separadas umas das outras, e nenhuma memória transpõe o hiato intermédio. O
fato é óbvio o bastante para qualquer um que medite sobre o assunto, mas
Deste modo, o Manas inferior pode fazer uma de
três coisas: pode elevar-se até sua fonte, e por esforços incansáveis e
estrênuos tornar-se uno com seu "Pai no céu", ou Manas superior -
Manas não contaminado com elementos terrenos, imaculado e puro. Ou pode
parcialmente aspirar e parcialmente tender para baixo,
Antes de considerarmos estes três destinos, há
mais algumas palavras a serem ditas a respeito da atividade do Manas inferior.
Quando o Manas inferior
liberta-se de Kâma, torna-se o soberano da parte inferior do homem, e manifesta
mais e mais de sua natureza verdadeira e essencial. Em Kâma está o
desejo, movido por necessidades corpóreas, e a Vontade, que é a energia
derramada pelo Eu em Manas, freqüentemente é capturada pelos turbulentos
impulsos físicos. Mas o Manas inferior, "sempre que desconecta-se de Kâma,
durante este tempo,
se torna o guia das mais altas faculdades mentais, e é órgão do livre arbítrio
no homem físico" (Lucifer, outubro de 1890, p. 94).
Mas a cond